Crédito: Reprodução/J.C.STAFF/SMDE/Square Enix

Você gosta de videogames? Então precisa conhecer Hi Score Girl

Você já imaginou encontrar o amor da sua vida em um fliperama, depois de perder dezenas de partidas para ela?

Lilly · 6 de novembro de 2026 às 16:00
7 minutos de leitura

Eu fui uma daquelas garotinhas que cresceram gostando de alguns videogames antigos, e Street Fighter sempre teve um lugar especial nessa lista. Então, imagina minha curiosidade quando, em uma das minhas passagens pela Netflix, me deparei com a proposta de um anime que tinha os videogames como parte central da história. Resolvi dar uma chance e logo percebi que não era apenas mais uma obra que usava jogos como pano de fundo. Hi Score Girl realmente se preocupa em retratar esse universo, trazendo partidas, personagens e mecânicas de jogos como Street Fighter e Final Fight de uma maneira muito fiel. Foi justamente esse cuidado com os detalhes, misturado a uma história que eu não esperava encontrar, que me fez gostar tanto do anime.

Crédito: Reprodução/Oshikiri Rensuke/Square Enix

O início de uma rivalidade inesperada

A história começa em 1991, acompanhando Yaguchi Haruo, um garoto de 11 anos que não vai muito bem na escola, não é popular e está longe de ser considerado bonito. Mas nada disso parece incomodá-lo tanto quanto o fato de não ser bom nos videogames. Na verdade, essa é praticamente a única coisa em que ele pensa. Todos os dias, depois da aula, Haruo visita um fliperama perto de sua casa, que ele chama carinhosamente de seu “santuário”. É lá que passa boa parte do tempo e onde construiu sua reputação como um dos melhores jogadores de Street Fighter.

Até que, em um dia aparentemente comum, ele chega ao fliperama e encontra uma multidão reunida em volta de uma máquina. O motivo? Alguém está acumulando 28 vitórias consecutivas em Street Fighter II, usando Zangief. Curioso e confiante de que conseguiria derrotar o adversário, Haruo decide entrar na disputa. O que ele não esperava era descobrir que o jogador por trás daquela sequência impressionante era Ōno Akira, uma garota da sua própria sala.

Akira é praticamente o oposto de Haruo. Inteligente, bonita, popular e herdeira de uma família extremamente rica, ela tem uma vida cercada de privilégios, mas também de muitas cobranças. Sua rotina é preenchida por atividades como aulas de piano e caligrafia, além de outras obrigações impostas pela família. E, justamente por isso, os fliperamas acabam se tornando uma espécie de refúgio. Como não pode ter videogames em casa, Akira aproveita as poucas oportunidades que tem para jogar escondida, longe das expectativas que todos colocam sobre ela.

No confronto, Akira derrota Haruo 30 vezes seguidas. Na 31ª partida, porém, ele finalmente consegue uma vitória, recorrendo a estratégias pouco honestas com o Guile para vencer. A atitude deixa Akira furiosa, e ela não pensa duas vezes antes de dar um soco nele. É uma primeira interação bastante inusitada que acaba dando início à amizade dos dois. A partir daí, os videogames se tornam o ponto de conexão entre duas crianças que, apesar de terem vidas completamente diferentes, encontram uma na outra alguém com quem podem ser verdadeiramente elas mesmas.

Crédito: Reprodução/J.C.STAFF/SMDE/Square Enix

Um verdadeiro paraíso para quem gosta de jogos

Um dos grandes atrativos de Hi Score Girl é a forma como os videogames estão presentes em praticamente todos os momentos da história. Se você gosta de jogos, provavelmente vai se envolver ainda mais, porque a obra apresenta diversos títulos populares da época, muitos deles conhecidos até hoje. Entre uma partida e outra, acompanhamos comentários sobre estratégias, disputas, lançamentos e até dicas sobre os jogos. E não é apenas uma referência colocada ali para agradar quem gosta desse universo. Os games realmente fazem parte da rotina dos personagens e influenciam a maneira como eles se relacionam.

Enquanto acompanhamos Haruo e Akira, também temos uma verdadeira viagem pela cultura dos fliperamas dos anos 90. É interessante perceber como os jogos eram populares e como os arcades funcionavam como pontos de encontro, onde as pessoas se reuniam para competir, conhecer novos jogadores e mostrar suas habilidades.

O anime estreou em julho de 2018, com uma primeira temporada de 12 episódios. Depois vieram três episódios especiais intitulados Hi Score Girl: Extra Stage, lançados em março de 2019, e, em outubro do mesmo ano, chegou a segunda temporada, Hi Score Girl II, com mais nove episódios. A adaptação foi disponibilizada internacionalmente pela Netflix.

Crédito: Reprodução/Oshikiri Rensuke/Square Enix

Uma personagem que fala sem dizer uma palavra

Ōno Akira é uma personagem que praticamente não fala durante a história, mas isso não significa que seja difícil entender o que ela está sentindo. Suas expressões, gestos e atitudes dizem muito mais do que algumas falas conseguiriam transmitir.

É curioso acompanhar como Haruo, que inicialmente não entende muito bem a garota, começa a reconhecer suas reações e perceber o que ela quer dizer. E, de certa forma, os videogames acabam sendo uma linguagem própria entre os dois.

Akira também é uma personagem interessante por representar alguém que, mesmo tendo uma vida aparentemente perfeita, não possui tanta liberdade para fazer aquilo de que gosta. Os fliperamas são um dos poucos lugares onde ela consegue escapar um pouco dessa realidade.

Crédito: Reprodução/J.C.STAFF/SMDE/Square Enix

Uma animação diferente do que estamos acostumados

Uma coisa que provavelmente vai chamar sua atenção logo nos primeiros minutos é a animação. Diferente da maioria dos animes, que utiliza desenhos tradicionais em 2D, a obra tem uma animação inteiramente feita em computação gráfica 3D, com um visual que lembra bastante personagens de jogos antigos. E confesso que, no começo, pode ser um pouco estranho se você não estiver acostumado com esse estilo.

Os personagens têm movimentos e expressões bem particulares, os cenários possuem uma aparência diferente e até algumas cenas parecem ter saído diretamente de um jogo. Mas, conforme você continua assistindo, começa a perceber como essa escolha combina com a proposta da história.

A escolha da animação não foi por acaso. A equipe de produção queria reproduzir os fliperamas, as máquinas e os jogos da maneira mais fiel possível. Inclusive, as imagens de gameplay utilizadas no anime foram capturadas diretamente dos jogos originais, e houve um trabalho cuidadoso para reconstruir os modelos das máquinas e os ambientes da época.

Outro detalhe interessante é que a animação dos personagens também foi pensada para combinar com esse universo. O estilo ajuda a manter uma identidade visual própria e, de certa forma, faz com que algumas cenas pareçam ainda mais nostálgicas.

Não é uma animação que vai agradar todo mundo logo de cara, principalmente quem está acostumado com o estilo 2D. Mas acho que vale dar uma chance, porque ela tem personalidade e combina muito com a proposta de Hi Score Girl.

Crédito: Reprodução/J.C.STAFF/SMDE/Square Enix

Uma história sobre amadurecimento e sentimentos

Apesar de ter os videogames como um dos principais elementos, Hi Score Girl não depende apenas deles para construir sua história. Existe um romance que vai acontecendo aos poucos, amizades, rivalidades, amadurecimento e algumas situações bastante engraçadas.

Haruo também passa por mudanças ao longo da obra. No começo, ele parece um garoto que só se importa em vencer partidas, mas, conforme a história avança, percebemos que ele começa a enxergar outras coisas além dos jogos. Seu relacionamento com Akira tem um papel importante nesse amadurecimento.

Particularmente acho esse anime um charme. Ele consegue misturar romance, comédia e videogames sem deixar que um elemento apague o outro. Você começa querendo acompanhar as disputas nos fliperamas e, quando percebe, já está torcendo pelos personagens e querendo saber o que vai acontecer com eles.

Para quem viveu a época dos fliperamas, é uma oportunidade de matar a saudade. Para quem não viveu, é uma forma divertida de conhecer um pouco mais sobre os jogos que marcaram aquela geração. E, mesmo que você não entenda muito de videogames, ainda existe uma história bastante cativante esperando para ser descoberta.

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Sobre Lilly

Sou bem introvertida, introspectiva e calada. Gosto de passar bastante tempo sozinha fazendo algo que gosto. Meu temperamento é fleu-mel e sou infp (eu também amo coisas sobre personalidade)

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