Crédito: Reprodução/Isayama Hajime/Kōdansha

Shingeki no Kyojin entra em nova onda de banimentos em escolas dos EUA

Volume final do mangá de Isayama Hajime aparece pela primeira vez em levantamento da PEN America sobre o ano letivo de 2025–2026; a proibição, no entanto, não é nacional.

「AMF」 · 6 de outubro de 2026 às 12:58
3 minutos de leitura

Shingeki no Kyojin voltou a aparecer entre os livros com acesso restringido em escolas públicas dos Estados Unidos. O volume 34, que encerra a série de Isayama Hajime, foi incluído pela primeira vez entre os títulos banidos no levantamento mais recente da PEN America, divulgado em 5 de outubro e referente ao ano letivo de 2025–2026.

A inclusão não significa que o mangá tenha sido proibido em todo o território americano. Nos Estados Unidos, decisões desse tipo costumam ocorrer no nível de estados, distritos ou escolas. A PEN America, organização voltada à defesa da liberdade de expressão, classifica como “banimento” tanto a retirada completa de um livro quanto medidas que diminuam seu acesso — por exemplo, remoções temporárias durante revisões, limitações por série escolar ou exigência de autorização dos pais.

No levantamento de 2025–2026, a entidade contabilizou 11.982 ocorrências de banimento, envolvendo 7370 títulos distintos em 114 distritos escolares. É o maior número anual registrado pela organização desde que ela começou a acompanhar sistematicamente o fenômeno, em 2021. Mais de 4500 obras apareceram no índice pela primeira vez.

Mangás ganham espaço nas listas de restrições

O caso de Shingeki no Kyojin faz parte de uma tendência mais ampla. A PEN America destaca que mangás e graphic novels têm sido atingidos com frequência por revisões de acervo, muitas vezes devido a imagens de violência, sexo ou outros conteúdos considerados inadequados para determinadas faixas etárias. Segundo a organização, séries inteiras também podem ser afetadas quando distritos optam por remover vários volumes de uma vez.

Isayama aparece em sexto lugar na lista de autores com mais ocorrências de banimento no ano letivo de 2025–2026, com 89 registros ligados a suas obras, de acordo com a PEN America. Outros autores japoneses, como Ohkubo Atsushi, de En’en no Shōbōtai e Soul Eater, e Takahashi Rumiko, de Inuyasha e Ranma ½, também figuram entre os mais afetados.

Embora o volume 34 de Shingeki no Kyojin seja uma novidade no índice atual como título individual, a série já havia sido alvo de restrições antes. O levantamento da PEN America referente a 2023–2024 registra Shingeki no Kyojin — sem especificar um volume — como banido por decisão administrativa no North East Independent School District, no Texas, em junho de 2024.

Tennessee já havia retirado a obra de bibliotecas

Outro episódio ocorreu no Tennessee em 2024. Naquele ano, alterações no Age-Appropriate Materials Act ampliaram as regras aplicáveis às bibliotecas escolares. A legislação passou a impedir a manutenção de materiais que contenham, entre outros elementos, nudez, descrições ou representações de conduta sexual, “violência excessiva” ou abuso sadomasoquista, além de conteúdos considerados ofensivos ou voltados ao chamado “interesse lascivo”.

Em Wilson County, mais de 400 livros foram retirados das bibliotecas escolares durante a aplicação das novas regras. Shingeki no Kyojin estava entre os mangás afetados, ao lado de séries como Jujutsu Kaisen, Tokyo Ghoul, Akira, Hunter × Hunter e Inuyasha.

No distrito de Knox County, uma lista oficial de materiais a serem removidos também incluiu o volume 2 de Shingeki no Kyojin, então disponível em biblioteca de ensino intermediário. A imprensa local informou, na ocasião, que o distrito não havia detalhado publicamente o motivo específico para a retirada de cada título.

Essa distinção é relevante no caso da obra de Isayama. Shingeki no Kyojin contém violência gráfica e situações de guerra desde seus primeiros volumes, mas também desenvolve temas políticos e históricos, como militarismo, nacionalismo, discriminação, propaganda e ciclos de violência. As listas de remoção, porém, nem sempre especificam quais cenas ou elementos de cada volume motivaram a decisão, o que impede atribuir a todos os casos uma justificativa idêntica.

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