Crédito: Divulgação/Funimation/Takaya Natsuki/Hakusensha/Studio Deen

Fruits Basket: amor, trauma e redenção sob o signo do zodíaco

Como a obra de Takaya Natsuki transformou um shōjo sobrenatural em um retrato sensível sobre cura emocional.

Chibi · 21 de fevereiro de 2026 às 12:36
2 minutos de leitura

Poucos animes shōjo conseguiram equilibrar fantasia, romance e drama psicológico com tanta delicadeza quanto Fruits Basket. À primeira vista, a história pode parecer apenas uma narrativa leve sobre uma garota bondosa que descobre o segredo de uma família amaldiçoada pelo zodíaco chinês. No entanto, conforme a obra avança, ela nos revela camadas profundas sobre temas como: abandono, culpa, abuso emocional e a difícil jornada de aprender a se amar.

A protagonista, Honda Tohru, é o coração da série. Órfã e vivendo sozinha em circunstâncias precárias, ela simboliza resiliência e empatia. Ao cruzar o caminho da misteriosa família Sohma, Tohru descobre que alguns de seus membros se transformam em animais do zodíaco quando abraçados pelo sexo oposto, elemento fantástico este que funciona como metáfora para os traumas e fardos emocionais que cada personagem carrega.

Muito além do romance

Embora o romance esteja presente — especialmente na construção do delicado triângulo entre Tohru, Yuki e KyoFruits Basket não se limita a isso. A narrativa se aprofunda em temas como violência psicológica, negligência parental e medo de rejeição, expressos na forma como cada integrante da família Sohma enfrenta suas próprias cicatrizes, muitas delas impostas por uma estrutura familiar tóxica e controladora.

O que torna a obra tão impactante é sua abordagem humana: ninguém é completamente vilão ou herói, e até mesmo as figuras mais duras são retratadas com complexidade, mostrando como o ciclo de dor pode atravessar gerações.

A força do shōjo como espaço de acolhimento

Dentro do universo do shōjo, Fruits Basket ocupa um lugar especial. A obra prova que histórias voltadas ao público feminino podem tratar de assuntos densos com maturidade e profundidade, pois, ao invés de romantizar o sofrimento, a narrativa enfatiza o crescimento, o enfrentamento e a libertação.

A versão de 2019 é considerada fiel ao mangá original, ampliando ainda mais o impacto da história e assim oferecendo uma adaptação completa e emocionalmente intensa. A trilha sonora suave e a animação delicada reforçam a atmosfera melancólica, criando momentos que permanecem com o espectador por muito tempo após o último episódio.

Uma história sobre quebrar maldições — internas e externas

Por fim, Fruits Basket é sobre romper correntes. A maldição do zodíaco é apenas o símbolo visível de algo maior: o medo de não ser amado, de não pertencer, de não ser suficiente, e Tohru, com sua gentileza quase desarmante, não “salva” os personagens — ela os ensina que eles podem se salvar.

E é essa mensagem de esperança, construída com lágrimas e pequenos gestos de afeto, que faz de Fruits Basket uma das histórias mais marcantes do shōjo moderno. Uma obra que abraça o espectador com a mesma ternura que sua protagonista oferece ao mundo.

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Sobre Chibi

Sou uma pessoa leve, divertida, que adora uma história interessante e coleciona mangás desde novinha.