CLAMP: o coletivo que revolucionou o mangá shōjo
Como quatro mulheres redefiniram narrativas, estética e protagonismo feminino no Japão.
Quando se fala em mangá shōjo, é impossível ignorar a influência do CLAMP, coletivo formado no final dos anos 1980 por Ohkawa Nanase, Mokona, Nekoi Tsubaki e Igarashi Satsuki. O grupo não apenas marcou época, como ajudou a redefinir os limites do que o shōjo poderia ser — em termos de narrativa, estética e profundidade emocional.
Tradicionalmente associado a histórias românticas e escolares, o shōjo ganhou novas camadas com o trabalho do CLAMP. Obras como Sakura Card Captors, X, Tokyo Babylon e Chobits exploram temas complexos como identidade, destino, perdas, livre-arbítrio e amor em suas mais diversas formas. O grupo mostrou que o shoujo pode ser delicado e, ao mesmo tempo, denso; fofo, mas também filosófico.
Visualmente, o CLAMP também foi revolucionário. Seus traços longilíneos, figurinos elaborados e composições quase etéreas quebraram padrões estéticos e influenciaram gerações de mangakás. A preocupação com moda, simbolismo e expressividade transformou cada página em uma experiência artística, elevando o mangá a um patamar próximo das artes visuais.
Outro ponto fundamental é a forma como o grupo trata seus personagens, especialmente os femininos. As protagonistas do CLAMP são complexas, fortes e sensíveis, fugindo de estereótipos rasos. Além disso, o coletivo sempre abordou relações afetivas de maneira aberta e respeitosa, incluindo amores não convencionais, o que foi particularmente ousado para sua época.
A importância do CLAMP para o mangá shōjo vai além do sucesso comercial. Elas abriram caminhos, desafiaram normas e provaram que histórias voltadas ao público feminino podem ser universais, profundas e inovadoras. Seu legado continua vivo, influenciando tanto leitores quanto criadores ao redor do mundo — e reafirmando que o shōjo é um espaço potente de experimentação artística e narrativa.